O relatório anual sobre a defasagem alimentar da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) revela um dado assustador: cerca de 53 milhões das 852 milhões de pessoas desnutridas em todo o mundo vivem na América Latina e no Caribe.
O documento analisa o período 2000-2002 e chama a atenção para o fato de que a luta contra a fome em todos os continentes tem registrado poucos avanços. Além disso, mostra que cresceu em 34 milhões o número de famintos nos países em desenvolvimento.
Segundo a FAO, são 815 milhões de pessoas sem alimentação adequada nos países em desenvolvimento, 28 milhões nas nações classificadas como “em transição” e 9 milhões nos industrializados. Ainda de acordo com o relatório, dos quase 53 milhões de famintos na América Latina, 33 milhões vivem na América do Sul, quase 7 milhões no Caribe e 12,6 milhões na América Central e no México.
Esta é a primeira vez que o organismo internacional elabora um relatório com o objetivo de avaliar os prejuízos causados pela fome do ponto de vista moral e das perdas econômicas. O documento destaca que "a desnutrição supõe custos muito elevados para as pessoas e as famílias, assim como para as comunidade e nações", e calcula que o problema causa perdas de US$ 500 bilhões por ano na produtividade, nas receitas e no consumo.
Citando estudos da Academia para o Desenvolvimento Educativo, o relatório da FAO afirma que com apenas US$ 25 milhões anuais seria possível reduzir a desnutrição em 15 países da América Latina e África, antes de 2015, e salvar cerca de 900 mil crianças da morte pela fome.
O relatório indica que cerca de 7 milhões de pessoas deixaram de morrer por causa da desnutrição entre 1990~1992 e entre 2000~2002 na América Latina. Porém, em alguns países a situação se agravou no mesmo período, como na Venezuela e Colômbia, enquanto em outros, como Brasil e Peru, foram registradas significativas melhoras.
Para a FAO, cerca de 5 milhões de crianças ainda morrem de fome no mundo a cada ano. Diante desse elevado número, o organismo considera insuficientes os esforços para reduzir à metade, até 2015, o número de pessoas famintas no planeta, conforme objetivo estabelecido pela comunidade internacional.